16 de fev de 2017

Relendo e Redescobrindo: O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman


Esse é um post de releitura, portanto contém spoilers da obra. Você pode ler a resenha aqui.

          Lembro de ter lido este livro pela primeira vez em meados de 2013, com 16 anos. Na época, acabei não gostando do livro, achei muito fantasioso, muito arrastado, muito alegórico. Agora, depois de quatro anos, resolvi dar uma segunda chance a história por conta de diversas críticas positivas, e acabei me apaixonando perdidamente pela história.

          Primeiramente, esse é meu primeiro contato com Neil Gaiman. Então não, não conheço a "pegada" de suas histórias, as mitologias utilizadas por ele, e se essa obra em especial tem alguma ligação com algum outro trabalho do autor. Mas, sem dúvidas, irei procurar ler mais sobre o autor, que me conquistou com este livro.

          Durante essa releitura, me peguei lembrando de momentos da minha infância, e quando adentramos no mundo do nosso pequeno protagonista - o qual não sabemos o nome - nos solidarizamos com o quão simples e mágica é a mente de uma criança, em especial uma que "vivia nos livros mais do que em qualquer outro lugar", como ele mesmo se descreve. Então, ao longo do livro, e conforme o garoto vivencia experiências marcantes e, podemos perceber, um tanto traumáticas, observamos elementos da fantasia contidos nessas obras por ele lidas - As Crônicas de Nárnia é uma das citadas - durante esses momentos, e como a fantasia, as histórias e sua amizade com uma peculiar e extraordinária menina, Lettie, e sua família, o ajudaram a superar esses eventos.

          Acho que este é um livro que pode ser interpretados de diversas formas e nenhuma delas pode ser considerada incorreta. Durante minha experiência com a leitura, me peguei várias vezes pensando se o que estava ocorrendo era real, mas em um determinado momento eu parei e pensei: é real. Se ele está me dizendo que foi, então foi. E ponto. Como disse Dumbledore para Harry em as Relíquias da Morte: "Claro que está acontecendo em sua mente, Harry, mas por que isso significa que não é real?". Foi uma experiência pessoal do personagem, e devemos confiar nele. As mulheres da fazenda Hempstock talvez não sejam mágicas e nem possuam poderes, mas o que importa é que serviram de refúgio para uma criança de sete anos e seus piores momentos. Passáros atacando seu coração, monstros e portais são a maneira que essa criança encontrou de vivenciar esse estágio da sua vida. 

          Provavelmente seria necessário ler ao livro mais umas três vezes para fazer uma análise mais detalhada de todos os acontecimentos narrados, mas o que eu absorvi nessa releitura foi como a nossa vida é regida pelos eventos de nossa infância. Nós crescemos, trabalhamos, nos casamos, porém sempre seremos o garotinho assustado que procurou refúgio com os amigos em uma fazenda distante, que acreditou que a babá bonita fosse um monstro a partir do momento em que a vida familiar desandou com a sua chegada, e a mesma criança que foi persuadida a acreditar que um pequeno lago em uma fazenda era um oceano, recheado de informações, verdades e sabedoria.  

"Os adultos também não se parecem com adultos por dentro. Por fora, são grandes e desatenciosos e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, eles parecem com o que sempre foram. Com o que eram quando tinham a sua idade. A verdade é que não existem adultos. Nenhum, no mundo inteirinho."

          
Por: Mariane
        

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