12 de abr de 2018

Resenha: Tartarugas até lá embaixo, John Green


Editora: Intrínseca
Número de páginas: 256
Data de lançamento: Outubro de 2017


Classificação:  


A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).


Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.


"Posso resumir em três palavras tudo o que aprendi sobre a vida: a vida continua." - Robert Frost 


          "Tartarugas até lá embaixo" veio pra mostrar o por que do John Green ser um dos autores do gênero jovem-adulto mais aclamados dos últimos tempos.

          No mais novo livro do autor, conhecemos Aza, uma garota de dezesseis anos e seu cotidiano nas idas e vindas ao colégio, sua relação com a mãe e com sua excêntrica melhor amiga, Daisy. Tudo é aparentemente comum na vida da jovem, exceto pelo fato de que ela possui transtorno de ansiedade, que afeta diretamente todas as áreas da sua vida.

          E como não pode faltar nos romances do autor, uma grande aventura aguarda Aza quando um bilionário conhecido na cidade desaparece, e uma bolada é prometida para quem ajudar a encontrá-lo. Daisy, sua melhor amiga falante e determinada, a convence a se empenhar em encontrá-lo.

          Ao virar vorazmente as páginas do livro, me peguei pensando no por que sempre gostei dos livros do autor. Ao mesmo tempo em que nos apresenta uma narrativa simples e uma história não tão instigante, ele nos conquista com a forma que adentra no mundo dos adolescentes, como se de fato fôssemos um dos personagens. Recheado de referências à cultura pop - sempre dentro de um contexto, não como em certos livros que forçam a identificação com o mundo criado de forma nem um pouco natural - o autor demonstra, acima de tudo, conhecimento do assunto que está sendo abordado, o que, aliás, foi tratado de forma muito responsável e nem um pouco idealista. Os pensamentos automáticos de Aza são perfeitamente apresentados dentro do contexto da pessoa ansiosa, assim como o Transtorno Obsessivo Compulsivo que a acompanha.

          As reflexões que Aza faz acerca de si mesma e do mundo são incríveis, principalmente relacionando com a sua doença. Ela constantemente não se sente dona da própria história, como se estivesse sendo controlada por agentes externos, desde seus pensamentos até suas ações, o que é muito comum com pessoas com o transtorno de ansiedade.

"Somos tanto o fogo quando a água que o extingue. Somos o narrador, o protagonista e o coadjuvante. O contador da história e a história em si. Somos alguma coisa de alguém, mas também o nosso eu." - pág. 240

          E como também não pode faltar, o romance que envolve a protagonista é daquele jeitinho que só o John Green consegue fazer. Nos dá vontade de pegar o celular e mandar aquela mensagem pro crush (rs). De longe não é o foco do livro, mas o personagem por quem ela se apaixona é um dos mais carismáticos criados pelo autor, apesar de me lembrar bastante o Augustus (A Culpa é das Estrelas) e seu papel na história de Hazel, principalmente na forma de lidar com a sua doença.

"Estávamos observando juntos o mesmo céu, o que, para mim, é mais íntimo do que contato visual. Qualquer um pode olhar para você, mas é muito raro encontrar quem veja o mesmo mundo que o seu." - pág. 16 

          O sentimento que define é orgulho! Que livro mais gostoso, cheio de verdades, ao contrário de muitos livros que romantizam as doenças. É muito gratificante saber que muitos jovens leem esses livros, e não só jovens como também pessoas que possuem o transtorno de ansiedade ou ainda não foram diagnosticadas. Ele nos mostra que é importante buscar ajuda e que você nunca está sozinho. Como estudante de Psicologia, posso dizer que João Verde está de parabéns!

Por: Mariane

8 de abr de 2018

Resenha: Vulgo Grace, Margaret Atwood


Editora: Rocco
Número de páginas: 496
Data de lançamento: Setembro de 1996


Classificação: 

Inspirado num caso real, Vulgo Grace conta a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão e a governanta da casa onde trabalhava, na Toronto do século XIX. Com uma narrativa repleta de sutilezas que revelam um pouco da personalidade e do passado da personagem, estimulando o leitor a formar sua própria opinião sobre ela, Atwood guarda as respostas definitivas para o fim. Afinal, o que teria levado Grace Marks a cometer o crime? Ou será que ela estaria sendo vitima de uma injustiça?

          Da mesma autora de "O Conto da Aia" - que deu origem à uma das séries mais aclamadas de 2017, 'The Handmaids Tale' - 'Vulgo Grace' é uma história que me captou a atenção pela primeira vez no ano passado enquanto eu passeava pelas categorias do Netflix. A série baseada na obra, disponível no serviço de streaming, é extremamente fiel ao livro, sem deixar de lado nenhum detalhe importante contado por Grace durante seus encontros com o Dr. Jordan. 

         O livro baseia-se na história real de Grace, uma garota simples e pobre, que acaba envolvida na acusação de assassinato da governanta e do senhorio da casa em que trabalhava. A moça diz que não se lembrar do ocorrido, tendo apenas algumas lembranças perdidas do dia da fatalidade, levantando dúvidas a respeito da sua inocência e de um possível transtorno mental.

          A narrativa oscila entre o ponto de vista da acusada e do Dr. Jordan, um psiquiatra empenhado em entender a mente da possível assassina. Ele se encontra com Grace e tenta instigá-la a revelar detalhes de sua história, tentando entender se pode ter ocorrido uma possível amnésia, ou se ela é apenas uma mentirosa. O mais interessante é que não temos como saber se Grace está contando detalhes verdadeiros de sua vida, ou apenas inventando acontecimentos para justificar sua possível doença mental, como é o caso da sua amizade com Mary Whitney, uma criada com quem Grace se apegou muito, assim como a moral duvidosa do outro empregado da casa dos assassinados, James McDermmond, que também foi acusado de ajudar Grace a matá-los. 

          É um livro cheio de detalhes que te deixam muito próximo da personagem. Sendo verídica ou não, sua história de vida comove e, assim como o Dr. Jordan, nos sentimos atraídos e instigados a entender o que pode ter acontecido com Grace que a levou a cometer tal ato. Cada parte de sua história é importante para compreendermos uma possível doença ou até mesmo um episódio de crueldade. Cabe a cada leitor, individualmente, criar suas teorias, com um final capaz de te deixar horas e horas pensando no que a autora quis dizer. Eu mesma, o li várias vezes para confirmar o que eu tinha em mente.

          Foi minha melhor leitura do ano até agora, e mesmo já tendo assistido a série, consegui aproveitar cada parágrafo como se fosse uma nova história. Recomendo fortemente a todos, não só aqueles que já se deliciaram com o fenomeno 'The handmaids tale". Depois venham me contar se acham Grace apenas uma vítima das circunstancias ou uma assassina tentando se safar. 

Por: Mariane

2 de abr de 2018

Resenha: Trono de Vidro, Sarah J. Maas


Editora: Galera Record
Número de páginas: 392
Data de lançamento: Agosto de 2012
Classificação: 

Nas sombrias e sujas minas de sal de Endovier, um jovem de 18 anos está cumprindo sua sentença. Celaena é uma assassina, a melhor de Adarlan. Aprisionada e fraca, ela está quase perdendo as esperanças quando recebe uma proposta. Terá de volta sua liberdade se representar o príncipe de Adarlan em uma competição, lutando contra os mais habilidosos assassinos e larápios do reino. Endovier é uma sentença de morte e cada duelo em Adarlan será para viver ou morrer. Mas se o preço é ser livre, ela está disposta a tudo.


          'Trono de Vidro' é o primeiro volume da série de mesmo nome e também primeiro livro escrito pela americana Sarah J. Maas. Geralmente já tenho isso em mente quando começo a leitura de autores novos que escrevem para o público jovem, como no caso de 'Quem é você, Alasca?' do John Green, que me surpreendeu como livro de estreia. Em contrapartida, com Maas me decepcionei terrivelmente.

          Não costumo ler muitas séries de fantasia, sendo a Cassandra Clare (Instrumentos Mortais) minha autora favorita do gênero. Eu também tinha isso em mente enquanto folheava as páginas do romance de Maas e não conseguia me identificar com nada na história. De início, a protagonista, denominada Cealena, me lembrou um pouco a Katniss de Suzanne Collins (Jogos Vorazes) quinhentas vezes mais chata, com a diferença de que a personagem de Collins é bem construída e com um contexto familiar e económico que condizem com a sua personalidade ao longo da história, ao contrário de Cealena, que apenas é jogada na narrativa como uma assassina revoltada, sem dar um pano de fundo decente para a história da personagem.

          A autora também peca ao escolher a terceira pessoa como forma de narrativa. Creio que se a história fosse narrada da perspectiva da protagonista, eu iria me afeiçoar pelo menos um pouco à ela. Mas no momento em que não temos acesso aos seus pensamentos e sentimentos de forma mais detalhada, os atos da personagem soam superficiais e pouquíssimos convincentes. Ela simplesmente não convence como uma assassina altamente perigosa, parecendo apenas uma adolescente revoltada e apaixonada.

          O romance terrivelmente previsível também torna a narrativa enfadonha e arrastada. Não só Caelena, mas os outros personagens também são mal construídos e não consegui me apegar a nenhum deles, talvez com uma pequena exceção ao personagem Chaol, segurança da personagem principal, que foi o único que despertou meu interesse em poucas partes da narrrativa. O vilão, desmascarado nas últimas páginas, também é ridiculamente previsível, e suas razões pouco convincentes.

          Além da má construção de personagens e previsibilidade, o livro tem uma escrita pobre em detalhes, repetitiva com as palavras (assassina era a que mais me irritava) e diálogos fracos que qualquer jovem no ensino médio poderia escrever. Creio que a história era uma espécie de fanfic publicada em um site, que com o apoio dos leitores se transformou em um livro, mas acredito que não houve as modificações necessárias para uma obra. 

          Pode até ser que a autora se aprimore nos próximos volumes, mas pelo menos em relação a esta série não tenho mais o menor interesse, sendo que foi um sacrifício conseguir chegar à ultima página do livro. E você, já leu a série ou algum outro livro da autora? Conta aí nos comentários a sua experiência!

Por: Mariane

4 de mar de 2018

Lendo "O Silmarillion" de J.R.R. Tolkien: Parte 1



          A leitura de "O Silmarillion" é considerada indispensável aos amantes do universo criado por Tolkien. Com isso em mente, resolvi me juntar ao projeto criado pelo blog Tolkien Brasil, que está realizando uma leitura conjunta da obra desde o começo do ano. Caso você tenha interesse em participar, ainda dá tempo! Achei a distribuição de capítulos muito prática, se tratando de um livro tão complexo e foi bem fácil cumprir as metas.

           Engana-se quem pensa que a narrativa se assemelha em algo com a trilogia do Senhor dos Anéis. Como eu disse anteriormente, é uma leitura que exige um pouco mais de atenção e um ritmo diferente. Eu particularmente não sei se conseguiria ler o livro inteiro de uma vez, sem intercalar com outros livros. Não é um livro longo, mas cansativo pelo excesso de detalhes e falta de uma história mais consistente e personagens mais cativantes.

          O livro se inicia com a criação dos Ainur por Eru, o deus, e atribuição de músicas para serem cantadas, que mais tarde chegam a uma harmonia. Mais tarde, Melkor, um dos Ainur, o grande vilão da história até agora, se rebela e resolve criar sua própria canção, iniciando então uma guerra.

          Mais tarde, os Ainur que desejassem uma forma corpórea a assumiram, surgindo então os Valar. A guerra com Melkor continua, e também há o surgimento dos anões, e mais tarde os elfos.

         É uma leitura muito rica que estou adorando fazer. Apesar de algumas vezes se tornar cansativa, a ponto de várias vezes eu precisar voltar para ler parágrafos que eu havia lido com a cabeça no mundo da Lua, o projeto do Tolkien Brasil facilitou muito e está sendo super proveitoso. Indico que, se você tiver interesse, acompanhe a leitura conjunta.

Até mais!

Por: Mariane

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