27 de out de 2015

Relendo "Quem é você, Alasca?" e por que ele é o melhor livro do João Verde.


Esse é um post de releitura. Portanto, contém spoilers da obra. Como eu ainda não tinha o blog quando o li pela primeira vez, não tenho a resenha dele aqui. Sorry ): MAS VÃO LER PORQUE É BOM DEMAIS.

Nesses últimos dias me deu uma vontade danada de reler alguns livros lidos há muito tempo, marcar as melhores citações, reviver tudo outra vez... E resolvi começar com o meu livro favorito do brilhante John Green!

Reler esse livro foi uma das minhas melhores experiências literárias esse ano. Pretendo continuar pegando livros a muito tempo lidos, porque muitas coisas são esquecidas e merecem ser relembradas.


A busca do Miles pelo "Grande Talvez", a vontade de abandonar sua vida pacata e amigos falsos, e ir viver aventuras e conhecer pessoas interessantes caracteriza a obra que, na minha opinião, é a melhor do autor. Você simplesmente quer se mudar AGORA para o internato Culver Creek.

"Estremeceu diante da revelação de que a corrida arrojada entre seus males e seus sonhos estava chegando ao fim. O resto eram trevas. 'Droga', ele suspirou. 'Como sairei desse labirinto?"


Alasca, a personagem que conquistou o coração de Gordo (Miles), é inteligente, descolada, linda e ainda por cima, é feminista! A menina, em várias partes do livro, critica a maneira como os meninos objetificam o corpo das garotas e é defensora da ideia de que as mulheres não devem ficar uma contra as outras.

"Ela sorriu com todo o encantamento de uma criança na noite de Natal e disse: 'Vocês fumam para saborear. Eu fumo para morrer."

A lealdade também é um tema notável no livro. Em Culver Crew, dedurar alguém acaba se tornando um crime maior do que assassinato. As rivalidades entre os garotos "ricos", denominados 'Guerreiros de Dia de Semana" e os alunos menos favorecidos são marcados por trotes e provocações. As armações deles são as melhores partes do livro, hahahaha!

E enquanto lemos o livro, nos sentimos bem por Miles ter encontrado o seu "Grande Talvez". Alasca tinha namorado, mas isso não o impedia de admirá-la, de amá-la. Ele a amava, e todos percebiam isso. E ele amava o Coronel também, apesar deles brigarem quase o livro todo. O seu "Grande Talvez" estava bem ali na frente dele, acontecendo naquele momento. As pessoas que ele conheceu nesse internato foram as responsáveis por oferecer a ele um outro lado da vida. 

E quando Alasca finalmente se entrega a Gordo, numa noite de muitas bebidas, e de estupidez por parte dos amigos, a menina tem uma crise de choro e histeria após uma ligação e pede ajuda para os meninos a ajudarem a sair do campus. E aí, mais uma vez, vemos um episódio de pura lealdade e confiança: eles nem ao menos perguntam para onde ela está indo, e nem questionam: simplesmente ajudam. Porque ela é querida e está desesperada. E é nessa noite em que Alasca bate com o carro em uma viatura e morre num acidente fatal.

Uma das grandes questões deixadas em aberto no livro é se Alasca se matou ou não. E não, eu não acho que ela tenha se suicidado. Ela era uma garota impulsiva, estava muito bêbada e chateada por ter esquecido o aniversário de morte da mãe. Foi tudo uma grande fatalidade, e não culpo também os garotos por tê-la deixado ir. Ela teria ido assim mesmo. Ela ia dar um jeito, porque ela era a Alasca.

"Acendi um cigarro e cuspi no regato. 'Você não pode me mudar e depois ir embora', disse para ela, em voz alta. 'Porque eu estava bem, Alasca. Eu estava bem, só eu, as últimas palavras e os amigos da escola. Você não pode me mudar e depois morrer."

Miles, é claro, sofre muito com a morte da amada, principalmente por eles terem sido os últimos a conversarem com ela, e por terem a deixado dirigir daquela maneira. E por eles terem se beijado naquela noite, e ela ter dito que continuariam depois.

"Como vamos sair deste labirinto de sofrimento?" é a grande pergunta de Alasca Young, mencionada várias vezes durante o livro. E depois de todos esses acontecimentos, Miles chega à uma conclusão: perdoando. Ele perdoa Alasca por tê-lo abandonado, e sabe que ela também irá perdoa-lo por esquecer dela eventualmente. Pois é a vida. Ele sofre agora pela morte da amiga querida que tanto o ensinou, mas chegará um momento em que ele não irá mais se lembrar dela ou ela será apenas uma vaga lembrança. Triste, porém realista.

Por isso é o meu livro favorito do João Verde. SEM MIMIMI.

E, claro, a melhor e mais conhecida frase do livro não podia faltar:

Simples assim. De centenas de quilômetros por hora ao repouso em um nano segundo. Eu queria tanto me deitar ao lado dela, envolvê-la nos meus braços e adormecer. Não queria transar, como nos filmes. Nem mesmo fazer amor. Só queria dormir com ela, no sentido mais inocente da palavra. Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era garoa e ela, um furacão.

Por: Mariane.

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